O projeto pede um serviço que a busca não devolve. Você tenta três jeitos de escrever o nome. Vem coisa parecida, nunca a linha certa. A tentação é pegar a composição “mais próxima”, trocar a descrição e seguir. Ou inventar um código que parece SINAPI.
Isso não é composição própria. É SINAPI maquiado. O código oficial deixa de ser o da CAIXA, a analítica deixa de bater, e o orçamento ganha uma linha que não se defende.
SINAPI é a tabela. Composição própria é o que a tabela não tem
A composição SINAPI é receita da CAIXA e do IBGE: insumos e coeficientes, preço por UF, mês e recorte de desoneração. Você busca, confere unidade e analítica, lança. O insumo vs composição já cobre essa escolha.
A composição própria é outra coisa. É a receita que você monta quando o serviço do projeto não existe na tabela — ou existe só pela metade. Combina itens SINAPI (material, mão de obra, composição auxiliar) com itens seus: um equipamento que a CAIXA não lista, um consumo medido na obra, um preço cotado.
O código é seu. A descrição é sua. O custo unitário sai da soma das linhas, não de um chute no rodapé.
Três usos que se sustentam:
- o serviço do projeto não está no SINAPI
- o SINAPI tem o serviço, mas falta um componente que o edital ou a execução exigem
- você precisa de uma variante (mesmo serviço, outro coeficiente, outra fonte) e quer guardar a receita, não só a linha solta no orçamento
Três usos que não se sustentam:
- achar “parecido” e reescrever o nome
- copiar um código SINAPI e mudar o preço
- criar composição própria só porque a busca não achou na primeira tentativa
Antes de criar, busque de novo. Termo parcial, palavra fora de ordem, pedaço do código. Muita “composição que não existe” é nome de projeto diferente do nome da CAIXA.
O que precisa estar na memória
Em obra pública, linha que não veio da tabela pede rastro. Não é o Datasin que homologa. É você.
Na prática, a memória da composição própria responde:
- Por que o SINAPI não serve (serviço inexistente, ou existente sem aquele componente).
- De onde veio cada linha: código SINAPI (UF, mês, desoneração) ou item próprio (cotação, outro sistema, medição).
- Qual a unidade do serviço pronto — a mesma pergunta do orçamento, não a unidade do material solto.
Item próprio sem fonte é o primo do 22% chutado no BDI. A linha fecha. A justificativa não.
O Datasin guarda a receita e calcula o unitário. A fonte do item próprio você preenche. A decisão de usar ou não no certame continua sendo sua.
Como montar a composição no Datasin
A biblioteca fica em datasin.com.br/compositions: Minhas composições. Lista com código, descrição, unidade, custo unitário. Dá pra buscar, editar, duplicar e excluir.
Para criar:
- Abra Minhas composições e clique em Nova composição.
- Preencha descrição e unidade (M2, M3, UN). Código é opcional; a tela pode sugerir um.
- No bloco Referências para itens SINAPI, escolha Estado, mês e desoneração — o mesmo recorte do orçamento. Desonerado vs onerado é o recorte; aqui ele só precisa ser o mesmo nas duas pontas.
- Buscar SINAPI (mínimo três caracteres; filtros Ambos, Composições, Insumos). Adicione o que a receita realmente usa.
- Item próprio quando a tabela não cobre: tipo, descrição, unidade, fonte, quantidade, custo unitário.
- Confira o Custo unitário da composição (calculado) no rodapé. É soma das linhas, não um campo que você digita no escuro.
- Salvar.
Se o recorte dos itens SINAPI ficou misturado, Aplicar a todos os SINAPI realinha UF, mês e desoneração das linhas da CAIXA que já estão na receita.
Para uma variante, Duplicar e mude o que muda. Não recrie do zero só pra trocar um coeficiente.
Como essa receita entra no orçamento
No editor (datasin.com.br/budget): Composições → Inserir composição. Busca por código ou descrição, Inserir. O custo unitário atual da biblioteca vai para a linha.
A busca SINAPI do orçamento continua sendo o caminho do item da CAIXA. A composição própria não substitui essa busca. Ela entra quando a tabela não tem o serviço.
Se você alterar a receita depois, o diálogo Referências do Orçamento pode avisar que a composição própria do orçamento ficou atrás da biblioteca, com opção de atualizar. Item já lançado não adivinha a edição.
Erros que a linha “própria” esconde
Não buscou o bastante. O SINAPI tinha o serviço com outro nome. Você criou uma receita paralela e perdeu a analítica oficial.
Tudo item próprio, nada SINAPI. Dá pra fazer. Fica mais difícil de defender. Se o material e a mão de obra existem na tabela, a receita deveria puxá-los e reservar o item próprio para o que a CAIXA não publica.
Recorte SINAPI da composição diferente do orçamento. UF, mês ou desoneração de um lado, outro recorte no orçamento. O unitário da receita não conversa com o resto das linhas.
Unidade de material no lugar de unidade de serviço. A composição própria responde “quanto custa o serviço pronto”, não “quanto custa o saco de cimento”. Essa confusão é a mesma do insumo lançado como se fosse composição.
Descrição de SINAPI, custo de cabeça. Se a linha se apresenta como tabela oficial e o número não é o da CAIXA, o problema não é software. É o rastro.
Perguntas frequentes
Toda linha que não achei na primeira busca vira composição própria? Não. Mude o termo, o filtro (Composições / Insumos) e o recorte. Só crie receita quando o serviço de fato não está na tabela, ou quando a tabela não cobre um componente.
A composição própria substitui o SINAPI no orçamento? Não. O orçamento mistura os dois: linhas da CAIXA pela busca, linhas suas pela biblioteca. Cada uma com a origem visível.
O Datasin inventa o preço do item próprio? Não. Você informa quantidade, custo e fonte. O que a tela calcula é o unitário da receita (soma das linhas).
Posso misturar SINAPI e item próprio na mesma receita? Sim. É o uso previsto: a tabela onde ela existe, o seu item onde ela não existe.
Se eu editar a composição depois, o orçamento muda sozinho? Não automaticamente. O aviso em Referências do Orçamento existe pra você decidir se atualiza as linhas já lançadas.
Preciso de código no formato SINAPI? Não. Código é seu, opcional. Não copie um código da CAIXA numa receita que não é a da CAIXA.
Resumo
SINAPI primeiro. Composição própria quando a tabela não tem o serviço — ou não tem um pedaço dele. A receita junta linhas da CAIXA com item seu, calcula o unitário e guarda na biblioteca. No orçamento, a busca lança o que é SINAPI; Inserir composição lança o que é seu. O recorte (UF, mês, desoneração) tem de ser o mesmo nos dois. O que não se defende é pegar a linha “mais próxima” e trocar o nome.
